Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










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Autoestima é a imagem que temos de nós mesmos, mas vai muito além da nossa imagem corporal. Apesar disso, o resultado do que vemos no espelho influencia no que a gente pensa em várias áreas da nossa vida, e você pode até tentar justificar a traição do seu namorado ou a sua demissão com o fato de você ter engordado, por exemplo. Já falei num outro texto aqui: A forma como a gente se vê influencia na forma como a gente se comporta, que influencia na forma como as outras pessoas nos veem, que influencia na forma como  a gente se comporta… assim, num looping infinito.

No ano passado eu também contei aqui que a minha mãe teve câncer de mama. Ela morreu no ano 2000, e por 10 anos, desde que fez a mastectomia (a cirurgia de retirada do seio) da mama esquerda até o dia que ela morreu, ela usou o mesmo único sutiã, que tinha sido bem caro e era bem feio, mas tinha uma aba para a sua prótese de silicone externa. Desde que ela morreu, já se passaram dezesseis anos, e a indústria não mudou muito nesse sentido. Quem precisa comprar esse tipo de sutiã, continua sem opção de loja, de preço, e principalmente, de modelos e cores. Não basta a mulher se olhar no espelho e ver uma enorme cicatriz no lugar da sua mama, e se sentir mutilada e feia, ela precisa te contentar com qualquer sutiã.

Se você nunca teve um familiar com câncer de mama, não ouse pensar que falar de uma peça da vestimenta é relevante para quem precisa se preocupar com uma doença tão grave, porque eu sei exatamente do que eu estou falando, e lamento muito que a minha mãe tenha passado por isso também. Dezesseis anos depois, eu já não posso fazer nada por ela, mas esse texto tem a intenção de fazer a indústria pensar nessas mulheres e permitirem que elas consigam reconstruir a sua autoimagem e a sua autoestima enquanto lutam pela sua vida.

Eu nem vou citar todos os problemas causados pela quimioterapia e/ou pela radioterapia, e nem do medo da morte, que ainda é eminente, já que a ciência parece não avançar quando o assunto é câncer de mama. Vamos nos concentrar no sutiã, que é uma peça que a gente escolhe pela sua funcionalidade sim, mas também pensa se o modelo é o ideal para o tipo de blusa ou vestido que a gente vai usar, já que a gente não quer que a alça apareça, e nem que ele marque demais no tecido, ou que blusas e vestidos mais cavados façam ele aparecer.

E tirar a roupa na frente do namorado ou marido? Não importa se é um relacionamento longo como o dos meus pais era quando ela tirou a mama (eles eram casados há 11 anos), ou se é um relacionamento recente. Tirar a roupa na frente de um homem é motivo de insegurança pra muita mulher, e além dessa mulher saber que aquele cara vai ver o corpo dela pós cirurgia, ainda tem a frustração de estar usando um sutiã feio. Mulheres que passaram por uma mastectomia tem o direito de terem uma vida sexual ativa, mas mais do que isso: Elas têm o direito de se sentirem bonitas!

sutiã câncer de mama outubro rosa

No começo desse ano, a Plié, empresa de roupas íntimas, e o Instituto Oncoguia, organização que oferece apoio e orientação para pessoas com câncer de mama, fizeram uma parceria que resultou na criação de um sutiã para mulheres com tumores nas mamas e passaram pela mastectomia, e utilizam uma prótese externa.

Parte do dinheiro obtido na venda desses sutiãs é revertida para o próprio Oncoguia, que luta pelos direitos dos enfermos, além de promover campanhas e encontros educativos sobre a doença. “As mulheres com câncer de mama vivem um momento de fragilidade, uma vez que os seios são importantes em questões como feminilidade, sensualidade e sexualidade”, constata a psico-oncologista Luciana Holtz, presidente da organização. “Ter uma peça que ajude a elevar a autoestima delas é bastante importante”, completa.

sutiã câncer de mama Plie

 

Esse é o modelo oferecido pela marca, e que foi desenvolvido a partir das orientações médicas, com o objetivo de trazer o máximo de conforto possível sem prejudicar o tratamento. O tecido utilizado para fabricar o produto passa por um processamento especial, que facilita a respiração da pele e acelera a cicatrização de cortes cirúrgicos.

Ele me parece confortável, realmente. Mas não acho que ajude nas questões de feminilidade e autoestima. Uma marca americana chamada AnaOno foi criada por uma mulher (Dana Donofree) que passou por uma mastectomia dupla aos 27 anos e teve dificuldades em achar uma lingerie que lhe parecesse apropriada, e desenvolveu tops, sutiãs e até peças mais sensuais, todas pensando nas necessidades de uma mulher em recuperação desse tipo de tratamento.

sutiã câncer de mama AnaOno

A marca envia para o Brasil, e apesar de ser um pouco mais caro que alguns produtos aqui no Brasil, tem mais opções do que algumas marcas nacionais, como a Darling, que tem a linha Mastec.

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