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O fim do ano se aproxima e ainda não senti aquela velha ânsia de me encher com aquelas promessas que nunca serão cumpridas. Desisti delas num outro verão. A nostalgia está só pela beirada, porque ainda não tive tempo de ficar melancólica com as luzinhas que piscam, com os olhares que brilham e com a esperança que se renova. É fato que, neste fim de ano, eu tenho de tudo: menos tempo. Entre uma vírgula e outra, entre uma correria e outra, entre o arrastar das horas para que o expediente termine e eu possa saborear uma cerveja com o prazer de “estou de férias” e não mais com aquele gostinho de “preciso descansar, socorro”, venho pensando no ano que vem. Talvez tenha pensado por causa da nova retrospectiva que fiz desse ano que passou: num momento em que me permiti refletir sobre tudo que foi, acabei emendando os nós e imaginando tudo que vem. Quem nunca?

Ao contrário das grandes expectativas dos últimos anos, para o próximo eu desejo tudo de menos. Desejo pra mim, desejo para você que lê este texto, desejo para o vizinho que dá “bom dia”, desejo para o moço da padaria que faz um sonho maravilhoso, desejo para as famílias que crescem e se encolhem a cada passar de ano… Eu desejo, para o próximo ano, um ano minimalista em muitos aspectos.

Quero menos distâncias entre amigos. Menos desculpas. Menos auto-boicote, menos adiamento de planos, de sonhos, de metas. Menos estresse. Muito pouco estresse. Quase nada de estresse. Desejo menos brigas, menos desentendimentos, menos raiva, menos mágoas.

Menos partidas.

É uma infinidade de menos que carrego no peito. Quase um mantra que venho repetindo há alguns dias e que continuarei repetindo até que o relógio toque meia-noite e anuncie um novo ano.

Eu desejo menos frustrações, desejo menos lágrimas tristes. Desejo menos noites sem dormir (só se for por bons motivos) e te desejo quase nada de pesadelos. Nenhum pesadelo. Quero menos notícias ruins, nenhuma morte precoce — embora toda morte seja precoce — e menos rancor entre as famílias. Desejo menos ego.

Menos orgulho.

Dois mil e dezoito pode ser mágico se a gente parar de hiperbolizar tanto os problemas. Se a gente parar de manter o foco em coisas ruins. Parar de criar tempestades em gotas d’água. Parar de procrastinar. Desejo menos procrastinação, falando nisso. E menos peso, por que não? Que a gente não brigue mais tanto com a balança, que a gente se aceite e pare de se cobrar tanto.

Desejo que as coisas não se acumulem, que os sentimentos não sufoquem e desejo menos palavras entaladas na garganta. Que nada mais fique por dizer. Que a gente consiga dormir sem mágoas, sem arrependimentos, sem o ‘se’.

Para dois mil e dezoito, eu desejo tudo de menos, para que o ano seja demais.

Foto de capa: Pexels

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