Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Leia este texto ao som de: 

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Quando eu era criança adorava as aulas de redação, fazia listas de opções de títulos, questionários sobre o tema para a família, rabiscava o rascunho mais vezes do que necessário, sonhava com os personagens e chegava a ficar ansiosa quando era a hora de ‘passar a limpo’.

Mas preciso admitir: sempre tive uma dificuldade tremenda na hora de desenvolver o desfecho.

Lembro que entrava em estado de desespero, eram muitas opções apenas para um só fim. E se amanhã eu mudasse de ideia? E se eu percebesse que aquela outra opção faria muito mais sentido? Ou pior, e se eu percebesse que na verdade aquela história nunca teria um fim?

Quando estou escrevendo, é como se o Universo inteiro pudesse me ouvir. É como se fosse uma carta com infinitos e anônimos remetentes.

Sempre tive certa facilidade em redigir, chegava a fazer rima até com a lista de supermercado. E aposto que meus ex-namorados podem comprovar o quanto eu não sei resumir um cartão de aniversário.

A verdade é que eu acho a comunicação uma espécie de tarefa de extrema importância e responsabilidade. Quando você coloca-se a expor seus pensamentos, ideias ou sentimentos para outro alguém, você está assumindo automaticamente a missão de entregar um pedaço de você a ela.

Você anda vivendo tudo que é pra ser vivido no amor? 1

E sabe, temos que ter muita delicadeza na escolha desses pedaços a serem fatiados e a quem serão entregues. Nem todos estão famintos para uma mordida. É preciso saber identificar os olhos de gula e olhos de fome, para, assim, jamais desperdiçar sequer uma migalha.

Escrever textos direcionados a somente uma pessoa me da um tipo de aflição, como se não importa quantas linhas eu escreva, vai ficar faltando algo. Por isso acabo optando por temas onde consigo abranger uma maior parte da população, sociedade ou comunidade. O encargo é menos conflitante.

Mas como sou uma pessoa apegada a promessas de começo de ano. Lá vai…

Eu tenho duas palavras preferidas em todo o dicionário. Eu consigo agregar ambas a você e, diga se de passagem, isso não é nada fácil de acontecer.

A primeira delas é esperança.

Eu acho que a esperança é o fermento da vida. É o que faz acordarmos todos os dias, independentemente em qual estado de espírito se foi dormir. Ela nos ensina a ter fôlego nos dias ruins para saborear cada segundo dos dias melhores com gratidão.

Você anda vivendo tudo que é pra ser vivido no amor? 2

O dia em que te conheci, você me deu uma tonelada desse fermento. E essa não é a parte em que vou dizer que foi porque me apaixonei por você, isso seria muito clichê.

Você devolveu uma parte de mim que nem eu sabia que havia perdido.

A parte que diz: “olha a vida tem muito mais do que você vem vivido”.

Você me mostrou uma porta que eu abri com cautela e observei de uma perspectiva que antes jamais havia experimentado.

Você me devolveu a esperança na minha segunda palavra predileta. No amor.

E o mais irônico que não foi porque te amei, seria loucura da minha parte se assim fosse.

Até porque amor se constrói com o tempo – e até hoje não descobri qual é o nosso.

Uma vez uma amiga me disse que eu não podia me aborrecer se alguém não me estendesse à mão, sendo que em outra ocasião eu lhe estendi. Na época fiquei confusa.

“- Como é que não vou esperar? Quando fazemos o bem, é o mínimo aspirar isso do outro não é?”

“- Não.”

Você anda vivendo tudo que é pra ser vivido no amor? 3

Eu sei que nem todos acreditam nessa linha do tempo que conecta as pessoas que estão predestinadas a passar pela vida do outro. Eu sei que nem todos acreditam que tem muito mais do que a gente pode ver.

Eu sei que tem gente que não acredita quando dizemos que nem tudo é física, ou quando se diz “esse sentimento é de outras vidas”. Eu sei que tem gente contra a veracidade de uma explicação cósmica, ou lutando contra seus propósitos e missões dessa vivência.

E eu respeito toda essa gente.

Mas eu acredito. Com cada átomo do meu corpo.

Sempre acreditei. Você só deixou a coisa toda mais interessante. Mais “baseados em fatos verídicos”.

Hoje eu entendo o que aquela minha amiga quis dizer.

Naquele momento com você eu só quis viver, pouco me importava o que aquilo iria ser ou não ser.

Eu senti a tua vibração de desejo de acolhimento, de estado eufórico de tormento, da pressão que vinha na pausa das suas falas. Foi como tocar sua alma.

E tudo que eu queria naquela circunstância era te dar todas as respostas para as perguntas que você não conseguia responder. Eu quis tirar um pouco da minha paz para deixar ali. Eu quis cuidar de cada ferida não cicatrizada ou situação mal interpretada.

Eu queria que você fosse feliz, mesmo que eu não pudesse assistir.

“Não existem recompensas no amor.”

Segundo alguns livros que já li, existe mais de dois bilhões de tipos de amores que podemos sentir durante nossa existência.

E eu tenho certeza, que naquele instante eu senti um deles.

Você anda vivendo tudo que é pra ser vivido no amor? 4

a·mor |ô|
(latim amor, -oris) É algo que tem que ser surreal. Inexplicável. É aquele feeling! A única incerteza que te dá certeza.

Amar não é preencher lacunas. Não é o encaixe na sua lista de condições ou uma simples companhia. Você não pode encaixar ele antes da reunião das dez, amor não se programa.

Você vai ter que me perdoar se isso tudo ficou meio bagunçado. Mas como te dar um desfecho, sendo que cada dia eu invento um diferente? Eu já tinha adiantado que eu tinha esse defeito.

Acho que você é aquela minha redação que até hoje não escolhi o título e não soube por um fim.

Mas para compensar, eu tenho uma qualidade que humildemente venero. Eu abraço as resoluções que o tempo me apresenta. Eu não questiono. Pois eu creio que se agirmos com esperança e amor pelo próximo as coisas tendem a seguir seu fluxo perfeito.

Talvez não seja como a princípio imaginamos, ou seja.

O importante é ter consciência que você pode olhar pra trás. Sem medo.

Pois… “Você viveu tudo que tinha que ser vivido no amor”.

Imagem: Pinterest

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