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Esses dias, em um daqueles almoços convencionais de domingo, minha mãe resolve contar pela vigésima oitava vez como aconteceu seu grande ‘sim’ ao meu pai. E eu, pela primeira vez, resolvi escutar com atenção sobre o primeiro encontro deles. Não me entenda mal, sempre admirei crônicas e todos os seus ‘viveram felizes para sempre’, mas tenho a tremenda mania de me dispersar no meio da história com algo do tipo, “o que será que vou comer no jantar?”.

Mas este domingo foi diferente. Minha mãe teve minha atenção em cada sorriso nostálgico e o modo como meu pai escutava parecendo que ela estava ditando a cura do câncer me fez sentir algum tipo de magia. Ela começou…

“Ele era moreno, alto e tinha aquele charme paulista que faz você entender porque aquela cidade é tão populosa. Morávamos a exatos 417 quilômetros de distância, nossa comunicação era basicamente cartas e telefonemas (leia mais aqui). Quando começamos a sair, ele tinha terminado um namoro de longa data e só sabia falar disso. De acordo com as regras, esse era o momento de fugir, mas, às vezes, na vida, precisamos entender o significado da palavra exceção. Sabe por quê? Pois no momento que entrei naquele carro, sabia que esse seria meu último primeiro encontro.

Você pode não entender agora, filha, mas quando queremos muito algo não se chama persistência, se chama amor. Eu o amei na primeira vez que ele me fez experimentar sushi e me ensinou com toda aquela calma como segurar aqueles malditos palitinhos (leia mais aqui). Eu o amei na primeira vez que ele pegou o carro e enfrentou uma estrada, pois eu precisava de ajuda na minha prova final.

primeiro encontro - carro

Eu o amei quando ele enviou uma carta aos meus pais, agradecendo por terem abusado na doçura em minha composição. Eu o amei quando ele me fez tomar chuva só porque disse que gostava do jeito que meu cabelo secava naquela ventania da Ilha do Mel. Eu o amei quando ele se calou para ouvir minha opinião sobre a arbitragem no jogo do Palmeiras, mesmo eu não sabendo diferenciar um atacante de zagueiro. Eu o amo há 26 anos. E ainda amoleço quando ele puxa aquele sotaque e diz me amar.”

Meu pai nessa hora deu aquela famosa risada, como quem diz “sou bom no que faço”, e concluiu:

“- Estava no banho, e percebi que não estava pensando naquela conta que tinha acabado de chegar, ou do gerente que tinha pedido demissão essa manhã, naquele relatório que ainda não tinha começado, sobre a briga com a minha irmã, ou naquela viagem puta cansativa que teria que fazer. Ela me fazia esquecer o mundo, era como se apenas a presença dela fosse a segurança pra todos os meus anseios. E eu percebi que queria me sentir assim até o resto da minha vida. Decidi pedi-la em casamento. “

Quem escuta uma história dessas deve pensar que casal assim não briga, não quer se matar e mandar o outro pra aquele lugar. Errado! Tem gritaria sim, tem pontos de vista diferentes, tem dormir brigado e acordar arrependido, tem telefonemas de desculpas e discursos cansativos.

Mas até quando ta dando errado, ta dando certo, entende? Pois a cumplicidade é maior que qualquer dificuldade e a vontade de fazer as pazes é maior que a vontade de estar certo.  É amor de alma. Se você não entendeu muito bem, não se preocupe, eu também não. Mas segundo minha mãe, podemos ficar tranquilos. Pois ele chega. E você vai sentir também quando for seu último primeiro encontro, quando for sua primeira e última vez de dizer… Eu também adorei te conhecer.

Imagem: Pinterest

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