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O primeiro relacionamento amoroso deve ter sido confuso. Eva, a mãe de todas, foi criação antes de ser escolha. Que escolha? Poucas opções – uma única opção – um desperdício de livre arbítrio. Adão descobriu a nudez recentemente, que vergonha Eva, se cubra, diz ele envergonhando com as próprias genitálias sem vida. Dá uma espiada na moça a sua frente e logo descobre que as suas genitálias não são tão sem vida assim.

Eva, por sua vez, tem muito mais o que tampar, logo cedo, nos primórdios da criação, descobre a injustiça de ter que gastar mais folhas que Adão. Além disso, também se sente culpada, comeu do fruto proibido. “Será que serei culpada pelo resto da minha vida?” pensa ela.

Por gerações, Eva querida. Gerações.

Nada imune aos desejos da carne, Eva sente o desejo pela primeira vez. Segunda, se contarmos a maçã. Adão tá mudado, engraçado, nunca tinha reparado nele dessa forma. Eva dizia para todo o mundo, os anjos que costumam visitá-los para contar as fofocas, que eles eram como irmãos. “E você e o Adão, hein?” perguntavam eles. “O Adão é como um irmão, credo gente”. No entanto, pensando melhor, ela nem sabe o que é ter um irmão.

Eles nem são filhos da mesma mãe, ou são? E no final, não somos todos? E também tem as condições do nascimento dos dois. Um do barro e o outro da costela. Não vejo parentesco algum. Tirando o fato desses negócios que ela tá sentindo. Chamou de sentimentos, pois ainda não tinha inventado o termo “tesão”.

“O que eu faço?”, diz Adão para o pai. “Como eu posso falar com ela sem parecer estranho?”. Não tem como não ser estranho, né Adão? Mas faz tudo parte de um plano maior. Só não vai falar com ela sobre a questão dos filhos logo no primeiro encontro, ela pode pensar que você está desesperado. E ele está. Adão é um menino mimado, sabe? Foi morar sozinho e depois foi reclamar com o pai.

Pronto, ganhou uma amiguinha. Agora não sabe como brincar.

O primeiro encontro foi um desastre, Adão não parava de falar da primeira namorada, Lilian. “Ninguém é tão bom quanto a Lilian no pega-pega”, falava ele despretensiosamente. Eva não tinha histórico romântico para comentar, mas ficou interessada nessa tal que ele tanto falava. Eva adora brincar de pega-pega também. Adão desconversa, a ex não presta.

Eva, que não tinham com quem comparar, achava Adão bem gatinho, ele já tinha casa própria e uma ligação com o “Pai de Todos” que ela nunca teria. Questão de sobrevivência, né? Uniu o útil ao agradável. Mas vamos com calma Adão, não sei bem o que quero ainda, disse ela. Com o tempo eles foram criando afinidade, filhos e quando Eva notou, já estava envolvida demais para voltar atrás. Mais velha e sábia do que foi um dia, pensou o que teria sido da sua vida se o seu conto de fadas fosse escrito por uma mulher ao invés de um homem.

Certamente ela não estaria preocupada com o assassinato de um dos seus filhos, nem pensando em maneiras de punir o outro filho assassino. Eva tinha uma certeza, que ela não sabia de onde vinha, que se ela servisse a uma mulher, teria mais maçãs e prazeres do que ela tem agora.

Hoje em dia, Eva olha por suas filhas e se felicita pelas escolhas, boas ou más, que elas têm a sua disposição. Escolher, percebeu ela com o tempo, é uma dádiva. Eva ainda passa boa parte de seu tempo escolhendo boas maneiras de punir os seus filhos, e faz isso com prazer. Eva, a primeira mulher, namorada, esposa e mãe, sempre foi cobra criada, isso ela pôde escolher ser, com orgulho.

Imagem: Pexels

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