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O que você procura?

Então é isto: a gente acaba aqui. Você pega seu rumo, eu pego o meu e a gente segue sem olhar para trás, sem pensar em voltar e sem chorar. Não, esquece a parte do sem pensar em voltar e sem chorar, isso já é pedir demais. A gente segue confiante e com os momentos bons na cabeça, mas isso não é ridículo? Eu deveria estar tentando lhe esquecer, mas lembrar dos nossos momentos só vai me fazer um mal danado. Eu vou querer de novo e não vou poder ter, isso é horrível, então não, não vamos lembrar dos momentos bons, pelo menos tentar não lembrar.

A gente poderia dar um jeitinho de se ajeitar e ficar juntos, não é? Porque a gente sempre deu um jeito em tudo. Quando era a distância a gente se falava pelo Skype, quando era a vontade de sexo a gente mandava umas fotos e falava algumas bobagens, quando era o medo a gente ligava e conversava. Mas sei lá, desta vez não vai rolar. Pelo menos não com a gente. Eu me questiono o porquê de a gente não jogar toda essa ideia de se manter afastados para o alto e ficar colados, aliás, por que eu digo “a gente”? A gente existe? Acho que a gente existe, mas não a gente. É confuso, não é? Vou tentar lhe explicar: a gente existe, mas eu e você não, entendeu? Quer dizer, a gente existe, mas não naquele sentido, sacou? Não se faça de besta, você entendeu. Mas eu acho que foi nisto que a gente errou, em querer ser a gente.

Perdoe-me pela confusão, acho que eu estou falando demais. Eu deveria deixar você ir logo, sem abraços, sem palavras de despedidas, sem um “tchau”, mas é que comigo não cola este papo de deixar ir sem falar nada. Então prometo ser rápido, prometo. Vou ler a carta que eu escrevi hoje de manhã, era para você ler quando estivesse sozinho, mas eu resolvi ler e acabar com tudo isso.

Escuta:

“Durante muito tempo eu procurei alguém que suprisse minhas necessidades, mas não essas necessidades tolas. Eu procurei alguém que me beijasse quando eu precisasse, que me abraçasse quando eu estivesse com medo e que me incentivasse quando eu quisesse desistir. Eu procurei alguém que fosse a minha alma gêmea, mesmo não acreditando nesse papo. Busquei tanto por uma pessoa que me fizesse bem, mas eu nunca encontrei. Talvez, por medo de nunca encontrar essa pessoa, eu comecei a criá-la em quem eu quisesse.

Via uma pessoa e pensava que seria ela quem me faria feliz pelo resto da vida, mas nunca dava certo e no fim sempre acabava em sofrimento. Por isso, eu deixei de tentar, de me entregar, de procurar. E eu acho que foi neste momento que você chegou, quando eu desisti. E você ficou ali, em silêncio, do meu lado, me amando. Mas quem disse que eu queria? Eu havia desistido de procurar alguém. Por qual motivo eu iria lhe dar uma chance e me decepcionar de novo? Você tentava, eu disfarçava, mudava o assunto e dizia que éramos apenas amigos. Mas você me conhece e sabe que eu sempre acabo cedendo e eu cedi.

No primeiro momento, eu tive medo. No segundo eu comecei a me acostumar com o sentimento e no terceiro, ah, no terceiro, eu o amei completamente. E eu me entreguei, deixei que você tomasse posse de mim, disse que era seu, que poderíamos ser felizes e que eu queria viver ao seu lado, eu tinha até criado planos, mas já era tarde. Porra, era muito tarde. E eu levei uma facada, mas não de você, de mim mesmo. Eu me ataquei, eu me matei, eu fiz essa tragédia comigo, então não tinha alguém culpado. Eu era o culpado. E eu amei, e chorei, e implorei, pedi desculpas, disse que eu era um tolo, eu me tornei submisso a você e você, o que fez? Disse que também me amava e que me perdoava.

Nossa! Meu coração quase pulou para fora, mas aí veio um acompanhamento “eu amo você, mas como amigo. ” E eu fiquei quieto, olhei, pensei, tranquei o choro e conversei comigo. Por que eu estou implorando amor? Eu não preciso disso, cara. Eu não preciso de alguém que não me queira. Então ok, eu recebi um não e dei um não, estamos quites, não preciso. E eu me enganei, e talvez essa seja a maior enganação que eu tive na minha vida.

Eu amava cada centímetro do seu corpo. Amava quando você sorria mesmo seus dentes sendo todos espaçosos um dos outros. Eu amava a sua língua e como você me torturava com ela. Eu amava o seu cabelo preto e todo encaracolado, eu amava cada centímetro do seu corpo, mas o que eu mais gostava era de você por dentro, não dos seus órgãos, mas da sua alma. Eu lembro quando você a despiu para mim e assim como eu, você também precisava de cuidados. Eu amava tanto você, amava todas as suas manhas, todas as suas complicações e implicâncias, eu o amava de uma forma tão sincera e morria de medo de perder você.

Eu tinha tanto medo de você virar as costas e pronto, ir embora. Eu tinha tanto medo de lhe perder que acabei perdendo por todo o medo. E é claro que não é só isso, tem mais um bocado de coisas que você precisaria saber, mas acho que não importa muito. Só falta uma correção, eu disse “eu amava tanto você”, mas na verdade é “eu amo tanto você”. Por último, deixo um pedido: guarde-me dentro da sua alma, ela é um lugar seguro para mim. ”

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É, é isso e por favor, não fale nada. Tome, leve esta carta com você, se quiser jogar fora, jogue. Enfim, vá em frente e se cuida, quem sabe um dia a gente se tromba pelo mundo.

Imagem: Pinterest

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