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Neste final de semana eu assisti ao filme “A girl like her”. Trata-se da história de uma garota (Jessica Burns) de 16 anos que sofre bullying constantemente com as maldades de uma ex-melhor amiga do colégio (Avery, que é a típica garota popular, bonita e “invejada” por todos). Ao se sensibilizar com o seu sofrimento, o melhor amigo de Jessica decide lhe dar uma câmera para ela gravar o que acontece diariamente na escola.

O interessante do filme é que ele faz o estilo documentário, embora não seja baseado em uma história real específica. Na verdade, o próprio cartaz diz que ele é baseado em milhares de histórias reais, já que o bullying (definido pelo Wikipedia como “termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos) é frequente entre adolescentes.

Ao me deparar com as cenas de intensa angústia da personagem principal, refleti sobre as inúmeras vezes em que me vi em sua pele e, infelizmente, também na pele da antagonista. Explico: eu sofri bullying algumas vezes no colégio, geralmente por ser baixinha, magrela (eu ficava doente com frequência por conta da asma e tinha dificuldades para engordar) ou pela orelha de abano que eu tinha.

Eu ganhava apelidos maldosos, escutava diversas piadinhas e até me deparava com listas que me “premiavam” como uma das garotas mais feias da sala. Eu ficava chateada, chorava muito e desabafava sobre isso em casa com minha mãe e irmã, mas no colégio eu fingia ser forte e não me importar. Até que eu me cansava e soltava alguma resposta grosseira ou simplesmente emburrava (leia mais aqui).

Já a Jessica fazia justamente o contrário no filme: só desabafava sobre o que acontecia com o seu melhor amigo (e eu desconfio que ela fazia isso com ele somente porque ele via tudo o que acontecia, senão ela iria guardar somente para si própria).

a girl like her - bullying

Ou seja, eu reagia e colocava a minha tristeza para fora de alguma forma, já a Jessica era mais contida – o que fazia ela se sufocar com toda a sua dor. Em contrapartida, eu também já fui a Avery nas inúmeras vezes em que tirei sarro da característica física ou do comportamento de alguém.

Nas vezes em que assisti alguém ser provocado e não fiz nada, além das vezes em que fiz comentários maldosos sobre uma pessoa com a qual eu não simpatizava ou coisa do gênero. A verdade é que, infelizmente, o bullying não acontece só nas escolas (embora seja muito mais intenso nelas). Às vezes, sem nos darmos conta, fazemos o papel de agressor e não pensamos no quanto isso pode machucar alguém.

Eu sei que no colégio eu machuquei algumas pessoas, assim como também fui machucada por outras (fui da garota introvertida e isolada para uma das mais populares em questão de 1 ou 2 anos). Na época em que fui popular, achava graça caçoar dos outros com as minhas amigas e nem sequer parava pra pensar em como o outro se sentia (me esquecendo até mesmo de que muitas vezes eu é que fui atacada). Ao ver este filme eu confesso que senti uma vontade enorme de voltar no tempo e fazer tudo diferente.

Por isso, aproveito este texto para pedir DESCULPAS a qualquer pessoa que eu tenha magoado, seja no colégio ou fora dele. Aproveito também para dizer para as pessoas que sofrem bullying que elas jamais estarão sozinhas e que devem contar com a ajuda daqueles que amam, de algum profissional e, principalmente, com a ajuda de si próprias. Ninguém tem o direito de deixá-las infelizes, NINGUÉM. Não importa o que digam ou façam, vocês são o que sentem e não o que os outros acham (leia mais aqui).

Por fim, digo a todos que se interessem pelo tema para assistirem ao filme e aproveitarem a sua reflexão. Pensem no quanto o que você faz ao outro ou o que diz sobre ele pode magoá-lo. Infelizmente, o bullying ainda existe e traz tristes consequências para as suas vítimas. E, acreditem, muitas vezes os agressores também precisam de ajuda. Este foi o novo ponto de vista que o filme me trouxe, porque ele me fez ver que quem sente necessidade de machucar o outro, muitas vezes, é para esquecer dos machucados que traz dentro de si mesmo.

Imagem: Pinterest

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