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O que você procura?

Já reparou que todo mundo gosta de falar, de conversar, de interagir? Nós seres humanos sempre gostamos de conhecer coisas, temos curiosidade de descobrir coisas novas e de explorar diversos assuntos. Mas quando é alguma coisa que nos remete a tristeza e que não está ligado a promoção dos nossos prazeres, nós não gostamos de falar. Nós simplesmente evitamos, ignoramos e fingimos que não existe. E por assim vamos caminhando, vamos vivendo.

Mas as coisas não deveriam ser assim, se não gostamos, se nos incomoda, se nos traz dor, é aí mesmo que deveríamos falar, expor, conversar e colocar para fora. Apenas dessa forma conseguiríamos dissolver essa dor ou pelo menos saberíamos como lidar com ela. O que fica escondido não aparece, e se não aparece parece que não existe, mas apenas parece. Pura ilusão…

Como saber lidar com o que não se conhece? Com o que se evita? Com o que se tem medo? Como tentar procurar algo sem saber por onde começar? Como tentar achar um caminho ou passar em uma ponte estreita no escuro?

Poderíamos usar vários exemplos desse tipo de relação que os seres humanos estabelecem com as situações desprazerosas durante a vida, mas vou pegar como exemplo a morte. A morte não é um assunto legal, é um assunto que traz dores, que traz saudade e uma imensidão de sentimentos, o substantivo morte já é pesado por si só. Mas é um assunto que deve ser falado, que deve ser discutido, desenvolvido e pesquisado. Pois se não a conhecermos, nunca a superaremos, nunca saberemos lidar com as perdas que ela nos trazem.

A morte tem suas explicações em várias teorias, tem seus significados em cada religião, os modos de lidar com ela de cada cultura. Mas a verdade é que todo mundo tem medo de morrer sem ao menos saber o que é a morte, aliás ninguém sabe, apenas supõe. A verdade é que nenhum ser humano sabe lidar com a morte, e nunca está preparado para perder alguém. Todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas ninguém espera por esse momento. Ninguém espera que a morte venha avassaladora e de forma repentina, mas ela é assim, ela não te avisa quando vai vir, ela não te fala quando virá te buscar ou buscar um alguém que você ama.

Quando já espera-se que a morte aconteça é dolorido, mas é algo já digerido. Mas quando ela acontece de repente, é algo profundamente estarrecedor. Muitos estudos já foram feitos, muitos psicólogos já estudaram essa questão da morte e do luto, mas é isso, não importa o que é dito, o homem nunca está preparado para morrer ou para perder alguém. Mas essa é uma coisa a se pensar, por que como vemos todos os dias a vida é frágil e decidir a duração dela é algo que não está em nossas mãos. E quando ela acontece sempre nos faz refletir sobre a nossa vida, vem com o papel de nos perguntar o que nós estamos fazendo das nossas vidas, se ela está fazendo sentido para nós, se estamos vivendo conforme queremos, se estamos sendo felizes e se estamos aproveitando enquanto ainda a temos.

Se estamos dando valor ao que temos, se estamos fazendo o que temos vontade e o que nos faz feliz, se estamos gastando nosso tempo direito, se estamos amando e demostrando esse amor para pessoas queridas. Se estamos agindo conforme nos orgulharíamos de ver depois, se estamos sendo boas pessoas. E é imprescindível analisar isso, porque a vida é um momento, é um sopro. E a gente só leva daqui o amor que deu e recebeu. A alegria, o carinho e mais nada. Lidaríamos de forma tão melhor com a morte, se ao invés de temê-la conseguíssemos entender que a morte não é a maior perda da vida, mas sim que a maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto ainda vivemos.

Bora aproveitar a vida enquanto ainda estamos vivos, vamos amar a família, desfazer as brigas, comer o que tiver vontade. Vamos sair com os amigos, dançar a noite inteira e ver o dia amanhecer. Vamos observar o pôr-do-sol, rir até a barriga doer, ver a beleza das flores, viajar, andar descalço na areia da praia e esperar que as ondas venham molhar seus pés. Vamos prestar a atenção na letra e na melodia das músicas, vamos sentir o ritmo, vamos sentir os cheiros e os sabores das coisas, vamos cuidar de tudo o que é importante para nós, coisas de valor, mas que o dinheiro não compra, vamos amar sem medo e sem amarras. Vamos lutar pelos nossos objetivos e para que a nossa vida valha mesmo a pena. Como já dizia nosso saudoso Charlie Brown Jr: “vamos viver os nossos sonhos, temos tão pouco tempo…”

E o que você me diria de “Vamos viver tudo que há pra viver. Vamos nos permitir!” como sempre nos aconselhou o grande Lulu?! Parece-me bem adequado o que ele disse…

Por isso é preciso refletir, é preciso refletir sobre tudo. É preciso descobrir a morte para saber o que é vida, e é preciso descomplicar a vida para saber lidar com a morte. Então, viva a vida para não morrer em vão, pois como já dizia Clarisse Lispector: “A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar, porque um belo dia se morre.”

Imagem: Pinterest

 

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