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“Sim, estou indo sozinha” foi a resposta que mais falei em Janeiro de 2019. Ninguém acreditava que estava indo morar por quase 6 meses na Polônia, sozinha, sem saber polonês. Ouvi milhares de histórias sobre sequestro e estupro, de como o mundo é um lugar perigoso. Mas como era a promessa dos meus 23 anos – minha mania de todo ano fazer uma promessa louca no aniversário – , não tinha escapatória, eu ia mesmo com medo. 

Acredito que esse pensamento recorrente nas pessoas é resquício da violência vivida em nosso país, mas muito também porque inconscientemente as pessoas ainda acham que viajar não é coisa de mulher. Antigamente, as viagens não eram aceitáveis para mulheres, seus maridos precisavam assinar suas viagens e aprovar. E neste momento, a única aprovação que eu precisava, era do meu cartão de crédito para comprar a passagem aérea.

Embarquei no voô sentido Turquia e ao meu lado havia um casal, ao contar que estava indo viajar, senti o olhar “Nossa, como?”. E assim foram inúmeras vezes, quando contava minha história, olhares de penas surgiam no meio das pessoas, perguntas curiosas de como era possível eu estar sozinha, como se estar sozinha fosse a pior situação do mundo.

Se você quiser ver como foi esta viagem, da uma olhada nos stories do meu Instagram, lá eu mostro um pouco da realidade.

Viajar sozinha não é sinônimo de estar esperando uma tragédia acontecer na sua vida, muito menos que você é antipática e não gosta das outras pessoas. Viajar com as amigas, familiares e namorado são momentos incríveis, mas viajar consigo mesma é um mergulho no oceano. 

Com o tempo, conheci pessoas que trouxeram o outro lado da moeda. “Nossa, que corajosa”, “Faça isso que a vida passa rápido” que mostraram que no fundo, muita gente  tem vontade de fazer isto, de sentir essa liberdade, mas tem medo do que os outros vão falar.

Se você é esta pessoa, tenha um pouco de audácia, se permita.

Permita experimentar o novo e o diferente. A decisão mais difícil será você comprar o voo e fazer a sua mala. Mas este momento te fará mais confiante em si mesma.

Mais do que fotos bonitos e conhecer pontos turísticos. Viajar é sinônimo de autoconhecimento. De se descobrir, redescobrir e se descobrir um milhão de vezes. É superar medos e alcançar objetivos. É se dar a chance de mudar constantemente e melhorar a cada dia e km andado. É se sentir independente, desfrutar sua própria companhia e entender com antes de convidar alguém para curtir um momento consiga mesma, você deve saber curtir um momento solo.

Nunca vou me esquecer de um domingo, em Brugges na Bélgica, que acordei cedo e sai caminhar sem destino nenhum. Podia fazer o que quisesse e o momento que quisesse. Passei o dia entrando em lojas e provando chocolates, conversando com pessoas sentadas na praça central e entendo o que havia acontecido naquela cidade há séculos atrás.

Aquele domingo, aquela cidade medieval trouxe uma riqueza de experiências e memórias únicas ao longo do caminho. Viajar sozinha transformou minha vida e foi o melhor presente que me dei. Se de também. No próximo aniversário, sopre as velas e prometa a si mesma que você vai tentar, uma vez, viajar. 

Viajar para a cidade há 50 km da sua cidade. Vai passar um dia sozinha no parque da sua cidade. Vai sair jantar sozinha porque está com vontade de comer naquele lugar. Até que um dia, suas asas estão tão livres, que automaticamente você estará indo para outros estados e países.

Imagem: Acervo pessoal

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