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Eu estava em pé. Nos meus ombros uma mochila tão pesada que eu não sabia como estava conseguindo carregar. Nas minhas mãos trêmulas havia um passaporte prestes a ser entregue para o cara da imigração. Era a segunda vez que eu viajava sozinha para o exterior. Só que, desta vez, eu não conhecia ninguém naquele país e isso me deixou em pânico.

Quando o cara da imigração carimbou meu passaporte, por segundos eu não consegui respirar, minha pressão caiu e eu só pensava: estou SOZINHA em outro país, que loucura. E se algo acontecer comigo? Quem vai me ajudar? Voltei a respirar subitamente ao perceber que tinha que sair do guichê para outra pessoa ser atendida. Já nos corredores do aeroporto, eu me dei conta que viajar sozinha era isso: arrancar correntes culturais e enfrentar os medos.

Viajar sozinha é uma experiência empoderadora 2

Para nós, mulheres, essas duas questões são o que diferenciam a experiência de uma viagem solo. O que acontece é que somos culturalmente ensinadas, desde pequenas, que precisamos ter um homem ao nosso lado para que possamos estar seguras. Prova disso é que quando houve o caso das turistas argentinas brutalmente assassinas, a primeira coisa que a mídia noticiou é que elas estavam sozinhas. Ocorre é que elas não estavam sozinhas. Elas eram duas, mas para a sociedade eram duas mulheres e não havia um homem. Por tanto, elas estavam sozinhas.

Por isso, quando decidimos viajar sozinhas é muito normal ouvirmos perguntas e acusações. Sou editora de um site para mulheres viajantes (conheça aqui) e o que posso dizer é que o que mais meu público escuta é:

Você vai SOZINHA?, perguntam com os olhos esbugalhados.

– “Você não pode sair por aí sozinha, é perigoso”, afirmam com a maior certeza do mundo.

Você é louca de viajar sozinha?, como eu mesma já ouvi na Argentina.

Pois é, vamos viajar sozinhas, sim, e não somos loucas!

Viajar sozinha é uma experiência empoderadora 1

Somos seres humanos exercendo nosso direito de ir e vir. Vamos, mas não com medo. Porque o medo é constante, verdade seja dita. Ele não passa. Mas isso não quer dizer que ele não seja amenizado.

Nos meus primeiros dias de viagem, senti receio de conhecer alguns lugares, pois sentia que ficar no hostel era mais seguro. No entanto, enfrentei esse medo. Afinal, eu não iria perder minha viagem, né? Fui com medo mesmo.

Resultado? Foi incrível. Conheci lugares lindos. Eu e meu fone de ouvido, companheiro de viagem, nos aventuramos pelas ruas desconhecidas. Os dias solitários, eu tirava para refletir sobre minha vida e no fim percebi que não estava sozinha. Estava comigo mesma.

Longe da vida real, a gente consegue olhar para nós mesmas por outra perspectiva. Os dias da minha viagem foram momentos de muitos aprendizados. Acredito que viajar é algo valioso justamente por isso. No fim, você volta e percebe que nada mudou, mas tudo mudou. Em outras palavras, o mundo exterior continua o mesmo, mas você, aaaah, você nunca mais será a mesma.

Imagem: Pexels

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