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O que você procura?

Dias atrás você me perguntou porque eu sempre voo tão alto, o porquê de eu sempre sentir muito, chorar muito, ouvir muito, mas falar pouco. E eu não tive uma resposta concreta para te dar – e desde então só tenho pensado nisso.

Sabe moço, eu sempre fui uma pessoa que observa muito e fala pouco. Lembro-me da minha infância, quando era a hora do recreio, enquanto os meus colegas brincavam no escorregador, pulavam corda ou jogavam bola, eu preferia observa-los do que participar ativamente das brincadeiras. Não sei o que me chamava atenção em observar os jeitos e trejeitos de cada um. Fui crescendo com essa característica, se é que se pode denominar essa minha mania assim.

Na adolescência, acho que devido a minha timidez, essas minhas observações foram só crescendo. Teve uma época em que eu criei muitas paranoias devido a observações mal feitas. Hoje, eu continuo a mesma: a que fala pouco e observa muito. Mas desde que aprendi a observar a mim mesma, as minhas observações quanto a outrem mudaram. Talvez eu tenha aprendido a observa-las de uma forma mais sadia, mas preferia não ter aprendido a me observar, isso faz enlouquecer.

É preciso sentir muito para viver de verdade 1

Você deve estar se perguntando o que é que as minhas observações tem a ver com os meus voos e com a minha intensidade. Já lhe explico moço. Eu não queria ser intensa, mas sou, a intensidade pulsa em mim – e desde que aceitei isso, descobri que não dá para viver com os pés no chão, é necessário voar. E quando tiramos os pés do chão, sempre há o risco de haver colisões, porque não é todo mundo que aceita ou sabe lidar com a intensidade e com a introspecção.

Mas também aprendi que não devo me importar tanto com a opinião de quem só sabe o meu nome – e no máximo o meu endereço ou número de telefone. Essas pessoas não sabem o que é sentir, não sabem o que é pensar e preferem viver sendo manipuladas o tempo todo. Manipuladas pela mídia, pelas religiões, pelas pessoas que se julgam espertas e logo se esquecem do valor da empatia e do amor próprio.

Eu sei que a minha sinceridade exacerbada te irrita de vez em quando, você diz que eu deveria ir mais devagar, para talvez sentir menos e não chorar – e ao mesmo tempo diz que quando crescer quer ser igual a mim, não ter papas na língua. Ah moço, você não sabe como é complicado a aceitação de si mesmo, como é difícil aceitarmos que somos de tal forma e pronto, que podemos mudar o que não nos agrada, mas que algumas características ficam impregnadas na nossa alma, feito tatuagem na pele.

É preciso sentir muito para viver de verdade 2

Então eu prefiro continuar sentindo muito, chorando muito e voando alto do que viver estagnada, pendurada numa janela chamada sonhos esperando a minha vida passar. Tire os pés do chão também, os arranhões e quedas só te farão crescer, pode acreditar. Agora vou me despedindo, pois preciso pegar o próximo voo rumo à realização dos meus sonhos.

Imagem: Pexels

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