Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

*Este texto não é prescritivo, nem possui base científica. É sobre sensações individuais/subjetivas. Procure acompanhamento médico e/ou psicoterapêutico, se for e/ou achar necessário. E, ah, vou recomendar musiquinhas ao longo do texto procê ver que não está só!

“Estou no treinamento da empresa que acabei de ser admitida e deveria estar prestando atenção, mas minhas mãos estão suando, meu peito tá apertado e palpitando, minha respiração descontrolada e eu deveria estar prestando atenção, mas eu não consigo tirar esses pensamentos daqui de dentro. Eu não aguento mais.”

Esta sou eu, você, nós, que sofremos das “paranoias” nossas de cada dia. Tudo pode ser gatilho. A caneca de café, a caneta sobre a mesa, um nome que se ouviu no corredor, um perfume, uma conexão que se faz aleatória, um pensamento que julga desnecessário. Ou nada disso.

O dia, lá fora, está incrivelmente lindo. É um dia a menos de garoa na cidade de São Paulo. Você tem conquistado muitas coisas: não só por mérito, mas por quem você é. Se mudou para a cidade dos sonhos, tem explorado lugares e sensações, conhecido muitas pessoas, feito amizades, reencontrou antigas, foi à entrevista, conseguiu um emprego, mora num apê com sua companheira, tem conseguido manter suas contas em dia. Mas nada disso é o suficiente (pra quem sofre (com) de ansiedade).

O dia tem vinte e quatro horas, mas, para uma pessoa ansiosa, o dia deveria ter uns dois dias dentro, pra que ela conseguisse se recuperar e (re)começar o que deveria ter feito durante o dia inteiro. A gente sabe que precisa se forçar a fazer as coisas. As mais banais se tornam complexas, como se levantar da cama e, as coisas que dão prazer, como passar um café da manhã, tornam-se terríveis ou sem sentido.

Uma outra sensação muito presente é o sentimento de culpa (ouça “Culpa“, de Tim Bernardes), que pode ser o próprio gatilho ou a consequência do estresse mental. A sensação de culpa pode vir independente se algo palpável aconteceu ou se é “apenas” um pensamento. Pensamentos esses, julgados desnecessários e pecaminosos (siiiiim!) ou lembranças que geram um mal-estar que podem durar alguns minutos, dias e, até mesmo, semanas… Até que se dissolvam por completo dando espaço para novos deles (Ouça “O Medo de Olhar Pra Si“, de Leo Cavalcanti”).

O dia a dia de uma pessoa ansiosa é estar em “estado de alerta” com medo de que aquele dia ou momento bons acabem “pra sempre”. O tempo para uma pessoa ansiosa é contado de maneira diferente: 5 minutos podem ser uma eternidade. (Ouça “O Tempo É Sua Morada“, de Francisco El Hombre).

“Se acalma, respira!”

“O que aconteceu? Você tava tão bem e do nada ficou assim???”

“De novo você tá com isso? Meu deus!”

“Você não tem motivos pra ficar assim! Eu hein!”

Essas (e MUITAS outras!) são frases que escutamos. É verdade esse bilhete.

Não diga isso se você não passa ou nunca passou por uma crise de ansiedade (Isso Não É Um Esporro!). Seja paciente e cauteloso. Seja empático. Sim, ninguém tem obrigação de lidar com os monstros de outra pessoa, mas existem algumas atitudes que podem ser generosas e amenizam o sofrimento (sim, sofrimento!) durante uma crise.

A primeira delas é, sem dúvidas, mostrar que está ali de verdade. Nem sempre “atitude” é falar. (Ouça “Eu Estou Aqui“, de Baleia). Uma sugestão, é a de segurar as mãos e fazer exercícios de respiração junto com a pessoa em crise sem que ela perceba, já que “Respira!” não é algo muito funcional para alguém que perdeu um pouco do controle do seu próprio corpo. “Ninguém solta a mão de ninguém”.

Além da culpa, vergonha, medo, tristeza, falta de apetite (ou o aumento dele) e a desmotivação, outros sintomas são frequentes, como a despersonalização e a desrealização. O primeiro, é como se nos sentíssemos fora do próprio corpo; o segundo, é a dificuldade em distinguir o real do não-real. “Isso é coisa da sua cabeça”. Sim, é. O que não seria?, já que o cérebro é o que controla tudo, não é mesmo? (risos nervosos). (Ouça “O Corte“, de Ventre)

É extremamente difícil confiar em alguém já que sentimos que somos um peso, mas, na mesma proporção, é importante que se dê uma chance para algumas pessoas (e para si!). Não é vitimismo, mas somos vítimas dos sentimentos e pensamentos hostis que nos visitam vez em quando. Não estamos só, nem pra gente, nem no mundo. O que sentimos é legítimo, mas nenhuma dor é para sempre, mesmo que o nosso tempo seja anti-horário. “A tempestade é sol também’.

“Faz falta
Sentir-se bem pra ver
Clareza
No que pode acontecer
Aguenta
Um passo de cada vez
Motiva
Um pouco de lucidez”
(Trecho de “Clareia“, de Francisco El Hombre)

Geeente, criei uma playlist no Spotify (em construção ainda, ok?!) chamada “Músicas Do Interior” onde as letras dialogam MUITO com questões realmente do interior hahaha! Fica aí a dica 😉

Imagem: We Heart It

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