Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Como é mesmo aquele chavão da sabedoria popular? “Você nunca vai chegar a um destino diferente se percorrer os mesmo caminhos”, não é isso? Pois bem, nessa virada de ano resolvi levar esse ditado ao pé da letra e me programei para fazer algo totalmente inusitado.

Já imaginou uma comemoração sem música, sem bebida, sem barulho, sem, enfim… sexo, drogas e rock and roll? Não é fácil desconstruir um conceito tão enraizado na nossa mente e ressignificar o sentido de celebração.

Eureka! Um réveillon transcendental! Meditando! É isso que eu quero!

O quê?????? Interna essa garota agora! 

Primeiro decidi me enfiar no meio do mato, em um ashram com a programação do dia toda estabelecida, cheio de atividades para fazer emergir de dentro de mim essa luz que eu tanto procuro lá fora.

Parecia a escolha certa, mas chegando perto… não sei avaliar ainda se foi autoboicote ou se realmente foi um momento de lucidez que brotou na minha mente inquieta.

“Pega leve, gata! Você não fez um ásana de yoga o ano inteiro, meditou no máximo 5 minutos por dia (quando dava tempo), está exausta das últimas semanas do ano de trabalho incessante e vai se meter em um lugar do qual você não pode sair correndo, tendo que se adaptar a um estilo de vida totalmente diferente do seu, sem muito espaço para atividades espontâneas”.

É isso mesmo que você quer?

Não, não era isso que eu queria. Eu queria querer. Queria que fosse uma decisão natural seguir esse caminho.

Queria que meu corpo todo fluísse em direção ao nirvana, quase que em um movimento mágico. 

Mas não é assim que funciona.

E, de repente, me dei conta que estava tentando mais uma vez “romper com o mundo e queimar meus navios”.

Mais uma tentativa de abafar minha essência meio desajustada e imperfeita, como se eu pudesse escolher o que eu quero que faça parte de mim e descartar o que não me interessa – como uma roupa velha que já não serve mais.

E não é justamente essa mentalidade que me levou a ter atitudes autodestrutivas e fazer escolhas ruins? 

Lembrei que 2019 foi um ano de parar de esconder as feridas com máscaras. De abrir as portas do armário para os monstros todos irem embora e exorcizar os fantasmas.

Não foi fácil. Eu tenho um apego às cinzas guardadas na minha caixinha no canto da sala. Os restos mortais que me fazem lembrar daquilo que já fui um dia. 

E quanto tempo eu dediquei a velar essas lembranças… com missas, oferendas e rituais dolorosos, que consumiam boa parte da minha energia. 

Sangue, suor e lágrimas

“Sangue, suor e lágrimas”, repete o meu psicanalista, sessão após sessão, cada vez que eu chego destruída querendo desistir (e não foram poucas vezes… santa paciência, P!) 

Ninguém disse que ia ser fácil. Não existe fórmula mágica. Mas aprendi que pode ser muito fácil ficar feliz com pequenas escolhas.

E depois de um fim de semana de pura viagem hedonista, resolvi passar a noite de ano novo em um templo budista, meditando com a Monja Coen (e olha aí os extremos reivindicando seu já conhecido espaço na minha vida).

Ainda me perguntava o que estava fazendo ali quando cheguei na porta com a minha travessa de quibe de abóbora, mas quando vi as bandejas com esfihas de carne e calabresa de um fast-food bem famoso na mesa me dei conta que tinha gente muito mais perdida que eu.

Vamos ao que interessa então!

O ritual começa. Tento meditar, mas a mente está a mil. São muitas emoções! Será que eu desliguei o forno? Ih, acho que deixei a chave pendurada na porta do lado de fora mais uma vez. Você prometeu não se apaixonar, segura a tua onda. Preciso falar disso na terapia. Putz, que boa ideia para aquela campanha que tá em andamento. E…

Calma, tudo está em calma…

Mas o foco está mais para um gato voluntarioso que para um cachorro obediente e ele não tá a fim de se aproximar. Sem problemas, agora é o momento de testar como anda a minha paciência. E essa é a mágica de persistir. Uma hora a mente cansa de devanear e começa a entrar em um estado de calma. 

Só que aí o corpo também começa a doer, a perna a formigar, o olho pesa. Claro, você não consegue empurrar incólume a serenidade goela abaixo. Todos os músculos do seu corpo gritam, mas você olha pro amiguinho do lado tão concentrado… e pensa que pode aguentar mais um pouquinho.

Abro os olhos e vejo a Monja andando pelo espaço. Que pessoa iluminada! Eu não gosto de endeusar ninguém, mas a energia que ela emana é palpável. Você sente no ar, costurando uma trama invisível de pensamentos positivos, de ternura e de amor.  

Eu sinto que estou onde deveria estar. Aquela sensação de fluidez finalmente se faz presente e eu entendo que é possível descobrir novas formas de diversão. Estou feliz!

Cantamos sutras, observamos o ritual dos monges, trocamos intenções puras apenas com o olhar. Comemos em silêncio. Eu, pelo menos, fiquei em silêncio. Algumas pessoas conversavam, mas eu senti que era o momento de observar. 

Pelo menos nesse réveillon eu voltei pra casa sã e salva, não mandei nenhuma mensagem constrangedora, não enfiei a cara na lama ou acordei em algum lugar estranho.

Não virei uma monja porque passei a virada do ano meditando. Aliás, logo no dia 1º já tomei mais cervejas que a maior parte da população brasileira vai beber o ano inteiro, mas aprendi que a tolerância e o acolhimento começam em mim mesma.

Minha única resolução para 2020 é apenas me respeitar. E já está de bom tamanho!

E você, qual é o seu desejo para esse ano?

Por O Ano do Novo




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