Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Para as pessoas que não sabem o que é a Wicca aqui vai: é uma religião do novo paganismo que possui práticas baseadas nos elementos da natureza e possui vários deuses, ou seja, é politeísta.

Costumo dizer que o paganismo de origem europeu é irmão do xamanismo e primo do candomblé. São religiões onde o poder feminino é tão importante ou mais importante que o masculino.

Aqui se diferencia da tradição judaico-cristã que claramente ressaltou o poder masculino e dos homens e assim vista como patriarcal. Por esta razão, a Wicca muitas vezes é recuperada por grupos de mulheres e/ou feministas.

Como e onde você já viu algo da Wicca?

Possivelmente em algum filme norte-americano de bruxas. Em algum pentáculo (esses amuletos de 5 pontas) em alguma arte ou no Halloween, que é uma celebração pagã europeia levada aos Estados Unidos.

Pois bem, junto com esta bruxaria, veio também o tema da caça às bruxas. No Brasil, a recente visita de Silvia Frederici, cujo livro, “Calibã e a bruxa” atualizou o interesse e a recuperação do debate. Inclusive gostaria de propor um diálogo aqui. A bruxa que foi perseguida na Europa seria a bruxa atual da foto da Fernanda Montenegro em cima de livros ou da mãe de santo que possui seu terreiro depredado. A melhor tradução para a bruxa no Brasil não seria nem “feiticeira” seria “macumbeira”, não é?

Somos as netas das bruxas e das macumbeiras que não puderam calar!

O contraditório que gostaria de apontar neste texto é que a Wicca, com algumas exceções claro, chega a um público um pouco diferente ao público europeu por exemplo.

Em Barcelona participei de um coven (grupo de brux@s) e fui iniciada e posso afirmar que a Wicca é praticada por camadas bastante populares, tal como acontece com o candomblé no Brasil. Entretanto, quando chega ao território brasuca em muitas ocasiões é recuperada por uma classe média-alta brasileira.

Aqui não há julgamento de valor, há uma constatação. Observe a seu redor, quem anda praticando e falando da Wicca. Inclusive te animo a dar seu próprio depoimento. Sim? O que você acha? Concorda? Não tenho uma “tese” a respeito, é só uma impressão inspirada na minha experiência com a wicca na Espanha e depois ver a wicca no Brasil. 

E talvez a impressão não seja só minha. Outro dia vi esse post: “Wicca é religião de patricinha branca que quer ser mística, mas tem preconceito com a macumba”. O que acha? 

Queria dizer que pode até ser verdade. Mas este escrito aqui é com intenção de aproximar tudo isso. Inclusive esta separação pode ser vista entre umbanda e candomblé, que em muitas ocasiões possuem públicos diferentes.

Então, o objetivo aqui é te dizer querida bruxa que você é bem macumbeira. Se quiser usar palavras bonitas como “mística” “espiritualidade” ao invés de “religião” e “macumba” fique à vontade.

Entretanto, saiba que se vamos à raiz da questão, vemos que somos todas parentes. Sabe com quem aprendi isso? No México com o povo lakota do caminho vermelho. Nem vou estender comentando que com este xamanismo acontece uma elitização parecida com a Wicca que chega no Brasil.

O que desejo sim dizer é que quando se entende a verdade de algo, a essência, não importa de onde vem, chega com força e para quem tem abertura de acolher.

Não é por causalidade que o povo Sioux batizou tem pouquinho tempo a menina Greta Thunberg com um nome que significa: “a mulher que veio do céu”.

O povo lakota acolheu Greta e assim afirmou: “a amamos como se ela fosse da nossa família, como se fosse parente”. É assim que gostaria que wiccan@s fizessem com outras “espiritualidades”, isto é, que acolhecem. Como dizem na Bahia: “peguem a visão”!

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